“Eu não recomendaria o Amor”, de Harold Norse, trad. Bruno M. Silva

             a minha cabeça parecia apunhalada 
por uma coroa de espinhos mas eu fiz uma piada e entrei no metro
e escondi-me na school johns para me masturbar
e secretamente escrevi
            sobre o inferno adolescente
porque eu era “diferente”
o primeiro e último da minha espécie
abafando sensações agudas
em piscinas e balneários
viciado em lábios e genitais
louco por nádegas
que Whitman e Lorca
e Catulo e Marlowe
e Michelangelo
e Sócrates admiraram
 
e eu escrevi: Amigos,
se desejais sobreviver
eu não recomendaria
o Amor

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