“confissão”, de Lucille Clifton (1936-2010), tradução de Bruno M. Silva

 pai 
 não sou semelhante à fé necessária.
 eu duvido.
 tenho as certezas de uma mulher;
 corpos são-me arrancados,
 empurrados para dentro de mim.
 osso e carne é o que conheço.
  
 pai
 os anjos dizem que não têm asas.
 acordei uma manhã
 sentindo como os poderia ver.
 podia distinguir as suas sombras
 na sombra. eu não sou
 semelhante à fé necessária.
  
 pai 
 vejo a tua mãe hirta
 sem ombros sem sapatos a teu lado.
 ouço-a sussurrar-te verdades que eu não posso conhecer.
 pai eu duvido.
  
 pai 
 quais são as verdadeiras certezas?
 a tua mãe fala de amor.
  
 os anjos dizem que não têm asas.
 não sou semelhante à fé necessária.
 procuro fugir de tão surpreendente presença;
 os anjos correm diante de mim
 como uma tocha. 

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