“Confissões”, de Charles Bukowski (1920-1994) trad. Bruno M. Silva

estou à espera da morte
como um gato
que vai saltar para
a cama

tenho pena da minha
mulher

vai encontrar este
corpo
branco
e rijo

vai abaná-lo uma vez,
talvez
outra:

“Hank!”

o Hank não vai
responder.

não é a minha morte que
me preocupa, é a minha mulher
deixada aqui com esta
pilha de
nada.

quero que 
ela saiba
no entanto
que todas as noites
a dormir
ao lado dela
até as discussões
sem sentido
foram coisas
formidáveis

e as palavras
difíceis
que sempre temi 
dizer-lhe
podem agora ser
ditas:

Eu
amo-te


[in On Love]

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