“Quando o homem entra na mulher”, de Anne Sexton (1928-1974), trad. Bruno M. Silva

Quando o homem
entra na mulher,
como a rebentação das águas sobre a costa,
uma e outra vez,
e a mulher abre a boca de prazer
e os seus dentes brilham
como o alfabeto,
Logos aparece ordenhando uma estrela,
e o homem 
dentro da mulher
aperta um nó
para que nunca mais
se separem
e a mulher 
sobe a uma flor
e engole o caule
e Logos aparece
e liberta os seus rios.

Este homem,
esta mulher
com a sua dupla fome,
tentaram aproximar-se
da cortina de Deus
e por momentos conseguiram,
embora Deus
na Sua perversidade 
desate o nó.


[in The Awful Rowing Toward God]

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