“Dia dos Mortos”, de D. H. Lawrence (1885-1930) trad. Bruno M. Silva

Tem cuidado, então, e sê brando com a morte.
É difícil morrer, difícil atravessar
essa porta, mesmo quando se abre.

E os pobres mortos, mesmo depois de abandonarem
a muralhada cidade de prata do seu corpo 
para onde irão, oh para onde irão eles?

Eles demoram-se entre as sombras da terra.
A grande sombra cónica da terra está cheia de almas
que não puderam atravessar o mar da mudança.

Sê brando, oh sê brando com os teus mortos
e cobre-os de um pouco de coragem,
ajuda-os a construir o seu pequeno barco para a morte.
Pois a alma tem uma longa, interminável viagem depois da morte
até à bela mansão do puro esquecimento.
Cada um precisa de um pequeno barco, um pequeno barco
e comida suficiente para a grande viagem.
Oh, do fundo do teu coração
cuida dos teus mortos mais uma vez, prepara-os
como marinheiros que partem, com amor.


[in Last Poems]

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