“Dor”, de Raymond Carver (1938-1988) trad. Bruno M. Silva

Acordei cedo esta manhã e da minha cama
olhei ao longe o Canal onde
um pequeno barco se movia pelas águas agitadas,
uma pequena luz dentro ligada. Lembrei-me
do meu amigo que gritava
o nome da mulher morta do alto dos cumes
de Perúgia. Que lhe punha o prato
sobre a mesa pobre muito depois
de ela já ter morrido. E abria as janelas
para que ela sentisse o ar fresco. Eu tinha vergonha
destas manifestações. Eu e todos os outros
amigos. Eu não conseguia entender.
Pelo menos até esta manhã.

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