Poema de Antonio Machado (1875-1939) trad. Bruno M. Silva

E era o demónio dos meus sonhos, o mais belo
de todos os anjos. Os seus olhos vitoriosos
ardiam como metal,
e as chamas que caíam
da sua tocha como gotas
iluminavam a profunda cadeia da minha alma.

"Virás comigo?" - "Não, jamais! Assustam-me 
os túmulos e cadáveres."
Mas a sua mão de ferro
segurou-me.

"Virás comigo."... E no meu sonho caminhei
cego diante da sua tocha rubra.
Na cadeia escutei o som de correntes
e o alvoroço das feras enjauladas.

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