“Amor”, de Delmira Agustini (1886-1914) trad. Bruno M. Silva

Sonhei-o impetuoso, formidável, ardente;
Falando a imprecisa linguagem da torrente;
Um mar transbordando de loucura e fogo,
Atravessando a vida como uma eterna fonte.

Mais tarde, sonhei-o triste, como um grande sol-poente
Que dobrasse contra a noite a sua cabeça flamejante;
Depois ele riu-se, e na sua boca terna como uma oração,
A alma da fonte anunciou os seus cristais.

Hoje sonho que é vibrante, e suave, e alegre, e triste,
Que se veste de toda a escuridão e de toda a íris;
Que, frágil como um ídolo e eterno como Deus,
Levanta sobre toda a vida a sua majestade:
E o seu beijo ardente cai a perfumar o solo
Numa flor em chamas arrancada por dois...
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