“Olá”, de Gregory Corso, trad. Bruno M. Silva

 É desastroso ser um veado ferido.
Eu sou o mais ferido, os lobos perseguem,
E tenho os meus fracassos, também.
A minha carne é apanhada no Gancho Inevitável!
Enquanto criança eu vi muitas coisas que não queria ser.
Serei eu a pessoa que não queria ser?
Aquele que fala-consigo-mesmo?
Aquele de quem os-vizinhos-fazem-pouco?
Serei eu aquele que, nas escadas do museu, dorme de lado?
Usarei o manto de um homem que falhou?
Serei eu o homem louco?
Eu, a grande serenada das coisas,
Serei eu a passagem mais quebrada?

“Eu não recomendaria o Amor”, de Harold Norse, trad. Bruno M. Silva

             a minha cabeça parecia apunhalada 
por uma coroa de espinhos mas eu fiz uma piada e entrei no metro
e escondi-me na school johns para me masturbar
e secretamente escrevi
            sobre o inferno adolescente
porque eu era “diferente”
o primeiro e último da minha espécie
abafando sensações agudas
em piscinas e balneários
viciado em lábios e genitais
louco por nádegas
que Whitman e Lorca
e Catulo e Marlowe
e Michelangelo
e Sócrates admiraram
 
e eu escrevi: Amigos,
se desejais sobreviver
eu não recomendaria
o Amor

Poema de Frank O’Hara traduzido por Bruno M. Silva

 Luz claridade salada de abacate de manhã
depois de todas as coisas terríveis que faço quão maravilhoso é
encontrar perdão e amor, nem sequer perdão
já que o que está feito está feito e perdão não é amor
e já que amor é amor nada pode dar errado
embora as coisas possam tornar-se irritantes aborrecidas e prescindíveis
(na imaginação) mas nunca de verdade para o amor
embora a um quarteirão de distância te sintas longínquo a simples presença
muda tudo como um químico entornado num papel
e todos os pensamentos desaparecem num estranho e calmo entusiasmo,
Eu não estou certo de nada para além disto, intensificado pela respiração
 
Poem by Frank O’Hara

Light clarity avocado salad in the morning
after all the terrible things I do how amazing it is
to find forgiveness and love, not even forgiveness
since what is done is done and forgiveness isn’t love
and love is love nothing can ever go wrong
though things can get irritating boring and dispensable
(in the imagination) but not really for love
though a block away you feel distant the mere presence
changes everything like a chemical dropped on a paper
and all thoughts disappear in a strange quiet excitement
I am sure of nothing but this, intensified by breathing