Cinco Poemas de Fujiwara no Tameie [1198-1275], trad. Bruno M. Silva

As pegadas desapareceram
do meu jardim solitário - 
a cor do musgo
está agora esquecida
sob as pétalas caídas.

*

Um cuco canta - 
mas a sua voz não anuncia
o início da manhã.
Grande parte da noite está ainda
entregue à vigília de um velho.

*

O que hei-de pensar?
Como a maré que se recolhe
na baía de Namuri,
aquele que eu amo
afasta-se de mim.

*

Na minha infância
acordava inquietado
pelo sussurrar dos juncos - 
agora fico acordado à noite
à espera do vento.

*

Sim, mas ainda assim,
embora as minhas noites de tormento
não tenham alcançado nada,
eu vou acreditar até ao fim - 
até nas suas mentiras.

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