“Espelho”, de Tada Chimako (1930-2003) trad. Bruno M. Silva

A minha imagem é sempre um pouco mais alta do que eu.
Ri-se sempre um pouco mais tarde.
Eu coro como um caranguejo cozido,
e recorto uma projecção de mim mesma com a tesoura das unhas.

Quando deixo que os meus lábios se aproximem do espelho,
ele distorce, e eu desapareço de vista,
como um nobre desaparece atrás do seu escudo,
ou um guarda por trás da sua tatuagem.

O meu espelho é o cemitério de sorrisos.
Viajante, quando vieres a Lakaidaimon,
diz-lhes que aqui se ergue um túmulo,
pintado de branco com maquilhagem,
com apenas o vento soprando no espelho. 
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